O TERÇO
DEVOÇÃO A MARIA
O dogma da assunção de Maria foi proclamado pelo papa Pio XII, no ano de 1950. Desde os primeiros séculos, a Igreja professou a fé na assunção de Maria em corpo e alma à glória celestial.
"Nossa mãe Maria está na glória. Deus quis que a mãe de seu Filho fosse imaculada desde a sua conceição e que fosse assumida na glória do paraíso com corpo e alma. Maria é figura da Igreja na qual vivemos, cujo destino último é a mesma glória na qual vive Maria. A Senhora da Glória intercede junto a seu filho por todos os seus e pela Igreja, que é comunidade marcada de santidade, mas composta ainda de pecadores que precisam de purificação. Mas da glória atrai os homens e as mulheres para o destino último que é o céu".
O QUE É O ROSÁRIO OU O TERÇO?
Você já deve ter-se perguntado, qual a diferença entre o Terço e o Rosário pois bem, um Rosário completo era o conjunto de 150 Ave-Marias, ou seja, 15 mistérios contemplados desde a anunciação do anjo Gabriel até a coroação de Maria como Rainha do Céu e da terra, isso, a um tempo atrás, pois o Papa João Paulo II, no dia 16/10/02, acrescentou a ele os Mistérios Luminosos, pela Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, logo, hoje, um Rosário completo é formado por quatro mistérios ou terços. O Terço como o próprio nome diz se trata da terça parte do antigo Rosário, ou seja, 50 Ave-Marias ou 5 mistérios. Hoje, temos então, o Rosário dividido em quatro partes: A primeira parte os Mistérios Gozosos, a segunda parte os Mistérios Luminosos, a terceira parte os Mistérios Dolorosos e por fim os Mistérios Gloriosos.
Oferecimento do Terço
Divino Jesus, nós vos oferecemos este Terço que vamos rezar, meditando nos mistérios de nossa redenção. Concedei-nos, por intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, as virtudes que nos são necessárias para bem rezá-lo e a graça de ganharmos as indulgências desta santa devoção.
Oferecemos, particularmente, em desagravo dos pecados cometidos contra o Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, pela paz do mundo, pela conversão dos pecadores, pelas almas do purgatório, pelas intenções do Santo Padre, pelo aumento e pela santificação do clero, pelo nosso vigário, pela santificação das famílias, pelas missões, pelos doentes, pelos agonizantes, por aqueles que pediram nossas orações, por todas as nossas intenções particulares e pelo Brasil.
Em seguida, segurando a cruz do Terço, reza-se o Credo. Depois, em homenagem à Santíssima Trindade, reza-se um Pai-nosso, Três Ave-Marias e um Glória ao Pai seguido da Jaculatória: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.
Mistérios Gozosos (segundas e sábados):
1°-Anunciação do anjo Gabriel a Nossa Senhora (Lc 1,26-38).
2°-Visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel(Lc 1,39-56).
3°-Nascimento de Jesus Cristo em Belém (Lc 2,1-21).
4°-Apresentação do menino Jesus no Templo (Lc 2,22-40).
5°-Encontro de Jesus no Templo entre os doutores da Lei (Lc 2,41-52).
Mistérios Luminosos (quintas-feiras):
1º-Batismo de Jesus no Jordão (Mt 3,13-17).
2°-Milagre de Jesus nas Bodas de Caná (Jn 2,1-11).
3°-Proclamação do Reino de Deus e convite à conversão (Mc 1,14-15).
4°-Transfiguração de Jesus (Lc 9,28-35).
5°-Instituição da Eucaristia (Mc 14,22-24).
Mistérios Dolorosos (terças e sextas-feiras):
1°-Agonia Mortal de Jesus no horto das Oliveiras (Mt 26,36-46).
2°-Flagelação de Jesus atado à coluna (Mt 27, 26-31).
3°-Coroação de espinhos de Jesus por seus algozes (Mt 27,29).
4°-Subida dolorosa do Calvário (Jo 19,17-24).
5°-Crucificação e morte de Jesus (Jo 19,18-37).
Mistérios Gloriosos (quartas e domingos):
1°-Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20,1-18).
2°-Ascensão gloriosa de Jesus Cristo ao céu (Lc 24,50-53).
3°-Descida do Espírito Santo sobre os apóstolos (At 2,1-13).
4°-Assunção gloriosa de Nossa Senhora ao céu (Sl 44,11-18).
5°-Coroação de Nossa Senhora no céu (Ap 12,1-4).
BREVE HISTÓRIA DO ROSÁRIO
Durante os primeiros séculos do cristianismo, o saltério de Davi, de 150 salmos, era de uso corrente. A antiga prece judia passara a ser também a prece cristã, e as comunidades a recitavam em latim, língua habitual da época.
Por volta do século IX, os monges irlandeses, considerando que a recitação dos salmos em latim pelos fieis incultos era impossível, imaginaram substituí-los por 150 Pais-nossos, utilizando um cordãozinho com os nós correspondentes para que fosse mais fácil contá-los.
Naquele tempo, a Ave-Maria ainda não era conhecida. Os livros de oração não a mencionavam. Foi preciso esperar dois séculos para vê-la em uso: primeiro a saudação do anjo (século X) e depois a de Santa Isabel (século XI). Somente no fim do século XI começou a ser rezado o "Saltério das 150 Ave-Marias", quase sempre acompanhado conforme o costume do tempo, de genuflexões, prostrações, braços em cruz etc.
Por essa mesma época aparece o "Saltério dos 150 enunciados e fé sobre Nosso Senhor Jesus Cristo". Conjunto de textos da Bíblia relacionados a certos momentos da vida de Nosso Senhor, essa oração rapidamente se torna uma vida meditada de Cristo.
Começa também a ser rezado, nessa mesma ocasião, um "Saltério de 150 louvores de Nossa Senhora", meditação sobre a vida da Santíssima Virgem semelhante à oração anterior, composta também por textos da Sagrada Escritura.
Temos, assim, no tempo de São Domingos (séc. XIII), quatro "Saltérios" de uso popular:
O dos 150 Pais-nossos;
O das 150 Ave-Marias;
O da "Vida de Nosso Senhor";
O da "Vida de Nossa Senhora".
Nosso Rosário atual é o resultado da combinação desses quatro "Saltérios", o que porém, não aconteceu de uma só vez, mas depois de várias tentativas arranjos e substituições.
No séc. XV, o dominiciano Alano de La Roche dá aos vários elementos o essencial da forma atual do Rosário, isto é, quinze vezes dez Ave-Marias separadas por um Pai-nosso, cada dezena dedicada à meditação de um acontecimento da vida de nosso Senhor ou da Santíssima Virgem. De La Roche lança ainda as "Confrarias do Rosário", mas a evolução não parou por aí.
No Século XVII, a segunda parte da Ave-Maria, "Santa Maria, Mãe de Deus". No século Seguinte, um "Glória ao Pai..." vem encerrar cada dezena.
Em nossos dias começa a se propagar a oração dita "de Fátima", rezada depois do "Gloria ao Pai".
O simples cordão com 10, 50 ou 150 nós dos monges irlandeses vai se fechar, tornar-se uma coroa (de rosas) e passar a ser, habitualmente, uma correntinha com pequenas contas: cinco dezenas, isto é, um terço do Rosário completo. Bem recentemente apareceu um apêndice: uma pequena cruz, à qual a devoção popular ligou a recitação de um "creio em Deus Pai..."; em seguida vem uma conta separada e mais três unidas, espécie de rosário para pessoas apressadas, cada conta representando um terço inteiro.
Como esclarece este resumo, é necessário a meditação das vidas de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem é essencial à sua recitação. É por essa meditação que nos aproximamos sempre mais de Cristo e de sua Santa Mãe.
A instituição canônica das Confrarias do Rosário está confiada hoje, na Igreja, ao mestre geral dos dominicanos.
ROSÁRIO DO CORAÇÃO DE MARIA
Início:
Em honra das cinco Santas Chagas de Nosso Salvador, faz-se cinco vezes seguidas o sinal-da-cruz.
Nas contas grandes:
Coração Doloroso e Imaculado de Maria, rogai por nós que recorremos a vós.
Nas contas pequenas:
Mãe, salvai-nos pela Chama de Amor de Vosso Coração Imaculado!
Para terminar reza-se três vezes:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Mãe de Deus, derramai sobre a humanidade inteira as graças eficazes da Vossa Chama de Amor, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que alguém que tivesse recorrido a Vossa proteção, implorado Vosso socorro, invocado o Vosso auxílio, fosse por Vós desamparado. Animado, pois, com igual confiança em Vós, ó Virgem entre todas singular, como minha Mãe recorro; de Vós me valho e, gemendo sob o peso de meus pecados, prostro-me a Vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas, ó mãe do Filho de Deus, mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de alcançar o que Vos rogo. Amém.
ROSÁRIO DE SÃO MIGUEL ARCANJO
Promessas do Arcanjo São Miguel a quem reza diariamente o seu Rosário
Em Portugal, numa aparição a uma ilustre serva de Deus, Antônia d'Astonoac, de coração dedicada ao culto do glorioso São Miguel, este santo Arcanjo declarou-lhe que desejava que fizessem em sua honra nove saudações correspondentes aos nove coros dos anjos, que consistiriam na recitação de um Pai-nosso e três Ave-Marias em hora de cada um daqueles coros.
Em retribuição que lhe rendesse este culto, prometeu um cortejo de nove anjos durante todo o decurso da vida sempre que se aproximasse da Santa Mesa Eucarística, e depois da morte a libertação do purgatório para si e seus parentes.
Modo de rezar este Rosário:
Sobre a Medalha, diz-se:
V.: Deus, vinde em nosso auxílio.
R.: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.
Gloria ao Pai....
Depois, deixando para o fim as quatro contas que seguem a medalha, toma-se a primeira conta grande do Rosário e reza-se a primeira saudação.
Primeira Saudação:
Saudamos o primeiro coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Serafins, para que o Senhor nos torne dignos de ser abrasados de uma perfeita caridade. Amém (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Segunda Saudação:
Saudamos o segundo coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e dos coros celestes dos Querubins, para que o Senhor nos conceda a graça de fugir do pecado e procurar a perfeição cristã. Amém. (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Terceira Saudação:
Saudamos o terceiro coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Tronos, para que Deus derrame em nosso coração o Espírito de verdadeira e sincera humildade. Amém. (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Quarta Saudação:
Saudamos o quarto coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Dominações, para que o Senhor no conceda a graça de dominar nossos sentidos e de nos corrigir de nossas más paixões. Amém. (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Quinta Saudação:
Saudamos o quinto coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Potestades, para que o Senhor se digne proteger nossas almas contra as ciladas e tentações do demônio. Amém. (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Sexta Saudação:
Saudamos o sexto coro de Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro admirável das Virtudes, para que o Senhor não nos deixe cair em tentação, mas que nos livre de todo mal. Amém.(um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Sétima Saudação:
Saudamos o sétimo coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Principados, para que o Senhor encha nossas almas do Espírito de uma verdadeira e sincera obdiência. Amém. (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Oitava Saudação:
Saudamos o oitavo coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Arcanjos, para que o Senhor nos conceda o dom da perseverança na fé nas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória eterna do Paraíso. Amém. (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Nona Saudação:
Saudamos o nono coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos Anjos, para que sejamos guardados por eles nesta vida mortal e por eles conduzidos à glória eterna do Céu. Amém. (um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai)
Ao final, reza-se:
Um Pai-nosso em hora de São Miguel Arcanjo.
Um Pai-nosso em hora de São Gabriel.
Um Pai-nosso em hora de São Rafael.
Um Pai-nosso em hora de nosso Anjo da Guarda.
Gloriosíssimo São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo, vós, cuja excelência e virtude são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos com confiança, e fazei por vossa incomparável proteção que nos adiantemos cada dia mais na fidelidade e na perseverança em servir a Deus.
V.: Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo.
R.: Para que sejamos dignos de suas promessas.
TERÇO DA DIVINA CHAMA
Faz-se o sinal-da-cruz e reza-se o Credo e três Ave-Marias.
Nas contas grandes:
Rezar o Pai-nosso.
Nas contas pequenas:
Vinde, Espírito, sede a nossa força e o nosso entendimento.
Ao final:
Vinde, Espírito Santo, fazei de nós receptáculos de vossos dons, para que possamos fornecer a nossos irmãos o caminho seguro nestes tempos confusos.
Em nome do Pai, do Filho e pelo Espírito Santo, Amém.
TERÇO DA PROVIDÊNCIA
Início:
Reza-se o Credo...
Nas contas grandes:
Deus provê, Deus proverá, Sua misericórdia não faltará!
Ao final:
Vinde, Maria, chegou o momento, Valei-nos agora e em todo tormento. Mãe da Providência, prestai-nos auxílio no sofrimento da terra e no exílio. Mostrai que sois Mãe de Amor e de Bondade, agora que é grande a necessidade.
TERÇO DE SÃO JOSÉ
Mistérios:
1° - Encontro de Maria e José e o noivado.
2° - Informado pelo Anjo José sabe de agora em diante que Maria será a Mãe do Salvador.
3° - No presépio de Belém, José e Maria adoram o Filho de Deus.
4° - Para escapar do massacre dos inocentes ordenado pelo rei Herodes, José foge para o Egito com Jesus e Maria.
5° - Após a morte do rei Herodes, José retorna a Nazaré com Jesus e Maria.
Nas contas grandes:
Meu Glorioso São José, em vossas maiores aflições e tribulações, o Anjo não vos valeu?
Valei-me, São José!
Nas contas pequenas
São José, valei-me!
Oração de Oferecimento ao final
A vós, glorioso São José, ofereço este Terço em louvor e glória a Jesus, Maria e a vós, para que sejais minha luz, meu guarda, meu guia, minha proteção, defesa, amparo, fortaleza e alegria em todos os meus trabalhos, tribulações e agonias.
Pelo nome de Jesus e pela glória de Maria, imploro o vosso poderoso patrocínio, para que me alcanceis a graça que tanto desejo.
Falai em meu favor, advogai a minha causa, diante de Cristo, no Céu, na terra, e alegrai a minha alma, para honra e glória de Jesus, de Maria e vossa. Amém.
Glorioso Patriarca São José, rogai por nós.
PORQUE TANTOS TERÇÕES E ROSÁRIOS?
Agora já pudemos entender que a oração meditada com a ajuda de cordões com um número menor ou maior de contas já é uma tradição de séculos e também faz parte de nossa história, das maneiras ricas e criativas que nosso povo foi buscando para relacionar-se com Deus em suas mais diversas formas de devoção.
Conta-se que Nossa Senhora, numa época de muitas heresias, apareceu a São Domingos para lhe ensinar o Rosário conforme o rezamos hoje, como forma eficaz de combater as ofensas de então.
A virgem Maria Valeu-se de algo que o Espírito Santo já havia inspirado no coração dos fiéis. Como pedagoga, orientava seu povo a dirigir aquela forma de oração de maneira a socorrer a Igreja em sua necessidade presente.
Podemos dizer então que nossos terços e rosários não são meras invenções vazias de uma espiritualidade qualquer, mas um resgate de nossa própria espiritualidade, hoje alimentada por este novo Pentecostes que nos faz, mais uma vez, reviver o berço de nossa fé.