Alma Missionária - Entrevista com o Pe. Osnildo Klann, scj

Iniciamos o mês de outubro celebrando a memória litúrgica de Santa Teresinha do Menino Jesus, virgem e doutora da Igreja. Por isso, outubro é conhecido como “mês missionário”, sendo Santa Teresinha a padroeira das missões. Nesta edição, trazemos uma entrevista com nosso vigário paroquial Pe. Osnildo Klann, scj. O religioso, que completou 81 anos de vida em 26 de setembro, conta com um extenso currículo de atividades desenvolvidas nos 54 anos de vida sacerdotal. Já atuou como pároco, formador e até foi superior provincial da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Dentre tantas funções, a que mais marcou sua vida, com certeza, foi ser missionário na República Democrática do Congo. Confira a entrevista!

(RSB) Revista São Sebastião: Como o senhor sentiu o chamado para ser missionário?
(PO) Padre Osnildo: Lembro que quando eu era seminarista em Corupá já ficava encantado ao ler as notícias sobre o Congo. Com o passar dos anos, veio o interesse em ir para lá, pois nossa Congregação conta com atividades missionárias permanentes há muito tempo no Congo. Porém, a Congregação precisava que eu exercesse meu ministério sacerdotal em outras funções, até que, após três triênios sendo superior provincial, já com 70 anos, obtive a permissão para ser missionário no continente africano.


(RSB): Qual a maior dificuldade enfrentada nos anos em que esteve na África?
(PO): A maior dificuldade foi a adaptação cultural, pois não é fácil se adaptar a outros costumes, ainda mais com 70 anos de idade! A comunicação também foi uma grande dificuldade, pois República do Congo conta com mais de 200 tribos, cada qual com seu dialeto próprio. Eu, por exemplo, trabalhei em três cidades, sendo que em cada uma os moradores falavam um dialeto diferente.

(RSB): O Congo é um país marcado até hoje pela violência. Como é a convivência com os guerrilheiros?
(PO): O Congo sofre com a violência promovida por grupos armados, muitas vezes são financiados pelos países vizinhos que desejam expandir seu território. Eu fiquei por cinco anos em Butembo, região dominada por um grupo guerrilheiro. Certa noite, ao voltarmos pra casa após as orações na capela, eu e os noviços fomos recebidos por guerrilheiros armados. Eu disse aos noviços para ficarem calmos e não reagirem. Em certo momento, os guerrilheiros colocaram os noviços contra a parede e me levaram para o quarto. Como eu não falava o dialeto dos guerrilheiros, perguntei se algum dos noviços falava. Por sorte, havia um noviço que falava e que nos acompanhou até o quarto. Hoje digo que sofri um ataque com tradução simultânea (risos)! Eles queriam dinheiro, objetos de valor... mas eu não tinha nada além de cinco dólares, pois um dia antes havia feito as compras do mês. Os guerrilheiros deram mais uma procurada nas minhas coisas e, enfim, foram embora.

(RSB): E o que nós podemos aprender com sua experiência na África?
(PO): Eu acho que nós devemos ter um espírito de gratidão para com Deus, pois aqui no Brasil temos muito mais do que precisamos, e muitas vezes ainda reclamamos. Pra mim, é um sofrimento estar em uma mesa farta de alimentos, pois recordo daqueles que estão no Congo passando fome. Por isso sempre digo que os pais precisam ensinar os filhos a não deixar comida no prato, a não desperdiçar alimentos. Também, precisamos ser solidários, ajudar o próximo, na medida do possível.

Confira a entrevista completa clicando no vídeo abaixo:

 
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