3º Domingo do Advento: bispo reflete sobre o chamado à conversão

“Onde é preciso conversão?”. Com este questionamento o arcebispo de Londrina (PR) e membro da Comissão para Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geremias Steinmetz, reflete sobre o 3º Domingo do Advento. A liturgia deste domingo, 16, tem como protagonista João Batista, o profeta da conversão. “João Batista é chamado o maior de todos os profetas, ele que teve a graça de anunciar Jesus Cristo ao mundo, e de mostrar quem ele é”, contou o bispo.

 

Segundo Dom Geremias, João Batista é ainda hoje aquele que continua mostrando claramente que os caminhos do Senhor precisam ser aplainados, é aquele que viveu com muita autenticidade a fé e que se propôs a entregar sua vida pela fé. Sobre a conversão, marca do profeta, o bispo esclarece: “conversão é mudança de vida, mudança de estruturas. É trabalhar de tal forma que o evangelho consiga ser anunciado e sobretudo vivido, iluminando as muitas dimensões da vida das pessoas e da sociedade”.

 

Muitas dimensões da vida humana continuam, de acordo com o bispo, a não serem iluminadas pelo evangelho. Para Dom Geremias, a liturgia do Advento ajuda os cristãos a perceberem onde é necessário um olhar mais atento. “Onde é preciso mudança de vida?”, questionou o bispo, que pediu: “É preciso ver onde o evangelho é cada vez mais necessário”.

 

Além da conversão, o tempo de Natal é, segundo o arcebispo de Londrina, um tempo que faz com que as pessoas deixem aflorar o sentido da caridade e do desejo de viver a caridade. “Isso porque a Igreja, as empresas, as famílias, as pessoas de maneira particular são provocadas a isso, a viver a caridade. Mas a Igreja não pode ficar nisso somente, de fato nós precisamos viver a caridade o ano inteiro, como diz a quinta urgência das diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, a Igreja precisa estar a serviço da vida plena para todos”, argumentou.

 

Para o membro da Comissão para Liturgia da CNBB, a caridade precisa ser vivida o ano todo, em um trabalho constante de sustentação de tantas realidades, como creches, asilos, escolas, e em casos particulares, onde as pessoas não têm condições de trabalho ou não têm trabalho. “A caridade pode também ser melhor organizada, com planejamentos, políticas públicas, planejamento econômico nas dioceses, nas paróquias, e até mesmo fazendo de certa forma um modelo de desenvolvimento que faça com que todas as pessoas possam ganhar com tranquilidade e com dignidade a sua própria sustentação”, explicou o bispo, ao incentivar uma caridade atemporal.

 

O evangelho

No evangelho deste domingo, João Batista fala de um batismo no Espírito Santo que se dá a partir da vinda de Jesus. Diante deste fato, Dom Geremias explica as palavras do profeta: “O batismo no Espírito Santo é exatamente quando, na continuidade da história da salvação, nós tivemos a ação do Pai no antigo testamento — como criador —, a ação do filho no Novo Testamento — como aquele que nos salvou, o redentor, o salvador —, e o Espírito Santo que veio para dar continuidade à obra salvadora do próprio Cristo, fazendo com que a Igreja continue cumprindo a sua missão”.

 

O bispo reforça: “Nós todos somos batizados no Espírito”, e explica: “João Batista batizava com água, e o próprio Jesus batizava no espírito para dar um novo significado, e ao mesmo tempo uma presença mais contínua deste mistério da vida da nossa fé, do reino de Deus na vida das pessoas”. Para o arcebispo de Londrina, diante deste gesto de amor de Deus, todos são chamados a compreender que não existe um tempo determinado para se viver a caridade, e sim que todo tempo é tempo de caridade, porque todos são chamados a construir um reino.

 

“O tempo do Advento é um tempo que nos propõe uma renovação na fé, um tempo que coincide com o final do ano civil, (…) e que nos chama para uma vida nova, para um recomeço, exatamente para que demos testemunho da nossa fé. Agora, no dia a dia, precisamos realmente perseverar na fé, e superar os desânimos através da esperança. Justamente o tempo do Advento é um tempo de conversão, tempo de vigilância, e é, sobretudo, um tempo de esperança, de ver e perceber a esperança”, refletiu.

 

De acordo com Dom Geremias, o catolicismo é a religião da esperança. “Deus está sempre presente e caminhando conosco, dando a possibilidade de sermos cada dias melhores. Esse é o sentido da esperança cristã. Não podemos nunca desesperar da presença e da intervenção de Deus na nossa vida”, sublinhou. O membro da Comissão para Liturgia da CNBB recomenda aos fiéis que aproveitem o Natal para cultivar uma espiritualidade profunda na encarnação.

 

“Pensamos que o Natal é simplesmente este tempo da solidariedade, mas ele é acima de tudo um tempo em que somos chamados a olhar com bastante realismo para a questão da conversão. A liturgia do Advento ajuda-nos nessa preparação, é necessário que a gente olhe para nossa vida e analisemos aonde é preciso tapar os buracos do caminho rumo ao Salvador”.

 
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